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domingo, 12 de agosto de 2012

Cabra Marcado Para Morrer (1984)


 



TÍTULO DO FILME: CABRA MARCADO PARA MORRER (Brasil, 1984) DIREÇÃO: Eduardo Coutinho
ELENCO: Elisabeth Teixeira e família, João Virgínio da Silva e os habitantes de Galiléia (Pernambuco). Narração de Ferreira Gullar, Tite Lemos e Eduardo Coutinho. 120 min., Globo Vídeo.
Gênero: Documentário, Ano de Lançamento: 1985, País de Origem: Brasil, Idioma do Áudio: Português do Brasil,

O filme “Cabra Marcado Para Morrer” de forma simples procura retratar a sociedade dos esquecidos, aqueles marginalizados dentro do sistema social. Abordando em seu contexto o movimento dos trabalhadores do campo. É interessante destacarmos que os personagens da produção são pessoas que verdadeiramente vivenciavam esta realidade em seu cotidiano.
Nada como um dia após outro com uma noite no meio e a graça de Deus pingando de hora em hora”.
O filme na minha concepção tem como objetivo retratar os diversos movimentos sociais que perpassam dentro de um espaço que destaca a terra como o alimento para milhões de trabalhadores no Brasil e no mundo. Apresentando-nos a arte silenciosa do movimento dos sem-terra, um discurso contextualizado e poematizado, de indivíduos que são “amantes” de sua terra, ou melhor, sendo eles o corpo onde habita a alma, a essência de sua terra.
O movimento MST (Movimento dos Sem-Terra) de forma totalmente contrária a mídia e a outros órgãos que de forma distorcida apresentam este movimento social, como um grupo composto por vândalos, etc. Na realidade quando estudamos o movimento MST, notamos que os membros do mesmo de forma organizada buscam difundir as suas ideologias.
 
A narrativa contextualizada do filme nos apresenta outro lado do movimento, onde fica visível a presença da poesia, ou seja, da arte gritante que mantém viva a centelha do movimento. A poesia é uma das formas mais precisas que os mesmos utilizam para engendrar a sua mensagem, seja ela discursada para um grupo maior de indivíduos, ou narrada como falas presente no cotidiano.
O título do filme procura valorizar a linguagem, o dialeto utilizado entre os indivíduos que compartilham do âmbito que destaca a terra, o trabalho agrícola como o meio para a sobrevivência. O Diretor Eduardo Coutinho se utiliza de uma linguagem simples para valorização e eternização de momentos, lugares e ações sociais que complexamente promoveram mudanças dentro do processo histórico.
 
É importante ressaltar que Eduardo Coutinho de forma complexa procura os mínimos detalhes para caracterização e ao mesmo tempo descaracterização do homem do campo: “um ser simples de pés nos chão, desdentados, com uma linguagem criada a partir de um dicionário formulado por eles mesmos; homens “simples”, porém dotados de muita sabedoria e experiência”.
A narrativa cinematográfica visa também ressalta a organização destes trabalhadores do campo que juntos realizam um movimento que de forma homogenia valorizam a sua terra.
Em suma, o filme “Cabra Marcado Para Morrer” nos traz uma linguagem simples, um discurso pregado por grupos sociais que são marginalizados, cabras que são marcados para morrer pelo sistema, porém indivíduos que bravamente lutam diariamente pela sobrevivência.
Por Dhiogo José Caetano Professor, historiador, escritor, poeta.
Cabra Marcado Para Morrer (1984). Direção e Roteiro: Eduardo Coutinho. Narração: Ferreira Gullar. Gênero: Documentário. Duração: 119 minutos.
Curiosidade: O filme originariamente era uma produção de 1964, com o mesmo diretor, e que foi interrompida pelo Golpe de 1964. Vinte anos depois foram reunidos os mesmos técnicos, locais e personagens reais para contar a sua história.
Fonte: http://cinemaeaminhapraia.com.br

sábado, 24 de dezembro de 2011

O Pontal do Paranapanema








O pontal do Paranapanema há muito tempo é um dos principais centros de conflitos pela terra no Brasil. São 100 anos de violência social e ambiental. O documentário mostra que naquela região se situa a última reserva de mata atlântica no interior de São Paulo. Mas a ação dos fazendeiros está destruindo o meio ambiente ao mesmo tempo em que impede a exploração sustentável por parte da pequena agricultura familiar.
São terras públicas tomadas ilegalmente pelos proprietários, que usam e abusam da lentidão e conivência da Justiça para manter seus latifúndios. Para se ter uma idéia, uma das empresas da região, a Destilaria Alcídia, utilizou o agente amarelo para acabar com a mata nativa da região. Trata-se de um desfolhante utilizado na Guerra do Vietnã pelo exército norte-americano. Há depoimentos de dirigentes do MST e da UDR, mostrando o cinismo destes últimos.

Indicação de uso:
Pode ser usado em debates e aulas de cidadania que falem sobre a concentração da propriedade rural e a agressão ambiental e social por parte dos grandes proprietários.

Ficha técnica:
Data: 2005
Direção: Chico Guariba
Duração: 52 min.
Produção: Ecofalante / Cinematográfica Superfilmes

Videoteca 

Cruzando o deserto verde

 












Produzido por iniciativa da Rede Alerta contra o Deserto Verde, o filme mostra as terríveis conseqüências da adoção do cultivo do eucalipto. A equipe de produção viajou por regiões do Espírito Santo e Bahia, entrevistando pessoas de diversos segmentos sociais. A vilã da história é a Aracruz Celulose, maior produtora mundial de celulose branqueada de eucalipto. 
As plantações da empresa atingem os modos de vida de populações negras e indígenas, retirando-lhes o acesso à agricultura de subsistência. Outro desastre são as carvoarias, que utilizam as sobras das árvores do eucalipto como combustível para fornos nos quais trabalham crianças em condições sub-humanas.

Indicação de uso:
Discutir os prejuízos causados pela monocultura, não só ao meio ambiente como para a cultura e sobrevivência das populações das regiões em que esse tipo de cultivo é adotado.
Ficha técnica:
Data: 2002 Duração: 56 minutos Texto e Direção: Ricardo Sá Produção: Alacyr Denaday, Geise Silva, Marcelo Calazans e Daniela Meirelles. Apoio: FASE-ES e FUNDO SAAP
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Massacre de Corumbiara

 











No dia 14 de julho de 1995 mais de 600 famílias participaram da maior ocupação de terra já realizada em Rondônia. Contavam com o apoio da CUT-RO, do Sindicato dos trabalhadores rurais de Corumbiara, do PT e de ex-dirigentes do MST. 
A fazenda escolhida, Santa Helina, de 14 mil hectares no sul do estado, era um entre os muitos latifúndios da região. Meses antes da ocupação os trabalhadores começaram a ser ameaçados.
No dia 9 de agosto, às 3 horas da manhã, mais de 200 policiais militares e jagunços invadiram o acampamento e abriram fogo contra os sem-terra. Bombas, metralhadoras, fuzis e revólveres foram usados contra trabalhadores indefesos. Os números do massacre - dez mortos, sete desaparecidos e centenas de feridos e presos - não são suficientes para traduzir o ocorrido.
A tortura (pessoas com os olhos furados, capadas, mutiladas com moto-serra e pessoas obrigadas a comer o miolo dos mortos, etc) não se traduz em números. 
"Massacre de Corumbiara " fala desse massacre, dessa barbárie, dessa covardia. Fala de um dos mais aterrorizantes capítulos da luta pela terra no Brasil, que nunca deve ser esquecido.

Indicações de Uso
"Massacre de Corumbiara " pode ser usado em aulas ou debates políticos que abordem a questão agrária no Brasil. É, no entanto, sobre o tema dos direitos humanos que o vídeo é mais indicado para ser usado. 

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Raiz Forte: MST


Documentário sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Através de imagens e depoimentos colhidos em acampamentos e assentamentos de vários Estados brasileiros, o filme apresenta todas as diferentes fases e formas de luta que caracterizam o MST.
Raiz Forte começa apresentando como é o processo de recrutamento do Movimento. Mostra como se dão as ocupações das fazendas e a construção dos acampamentos, onde a vida é dura e o medo da violência dos fazendeiros são realidades constantes. Desnuda a violência policial quando são realizados os despejos das ocupações. Através de imagens do Paraná e de Eldorado dos Carajás (PA), mostra a repressão e a forma que o Estado Brasileiro e as classes dominantes tratam o Movimento e os trabalhadores do Brasil.
Mostra também o processo de produção nos assentamentos e acampamentos. A mudança de vida e de visão de mundo pela qual passam os Sem Terra. Apresenta a nova vida nos assentamentos já consolidados, a produção em cooperativas, a industrialização de diversos produtos e a riqueza das experiências do trabalho coletivo. Discute as dificuldades encontradas para obtenção de financiamentos e para a produção de mercado. Apresenta ainda as iniciativas de produção orgânica e de diversas formas de comercialização.
"Raiz Forte"é por isso tudo um dos mais completos documentários sobre um dos mais importantes movimentos sociais do mundo.

Indicações de Uso:
Como falar da História ou da Geografia no Brasil Contemporâneo sem falar no MST? Como travar um debate político ou analisar as forças e grupos que compõe nossa sociedade hoje sem lembrar dos Sem Terra? Raiz Forte mostra em 42 minutos o que é o MST e, por isso, é indicado para debates políticos em escolas, faculdades e movimentos sociais.
Ficha Técnica:Data: Agosto de 2000
Direção: Aline Sasahara e Maria Luisa Mendonça
Duração: 42 minutos
Realização: Centro de Justiça Global – Global Exchange
 
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Guariba – 1984









Documentário sobre o trabalho de preservação da memória da histórica greve dos trabalhadores rurais (bóias-frias) de Guariba (SP).
Guariba é uma típica cidade dormitório da região de Ribeirão Preto. Grande parte de sua população é de trabalhadores rurais empregados nos canaviais e usinas de álcool. Em 1984, a cidade foi palco de uma greve que, apesar da repressão policial, foi vitoriosa. A greve virou notícia em todo o país, o que estimulou muitas outras lutas de trabalhadores rurais em busca dos mesmos direitos conquistados em Guariba.
O fio condutor do documentário é a exibição das imagens da greve de 1984, quando da inauguração da sede do sindicato em 2001. As imagens da violência policial, dos espancamentos, dos piquetes e os depoimentos de homens e mulheres que participaram do movimento fazem relembrar aos trabalhadores de Guariba seu potencial de luta, de conquistas, estimulando uma maior organização. “Guariba – 1984” é um filme sobre a memória daqueles que podemos chamar de vencidos, mas que, apesar da exploração e da repressão, um dia foram vitoriosos.

Indicações de uso:
"Guariba – 1984" é um documentário indicado para aulas ou debates que tenham como tema a questão agrária no Brasil ou a preservação da memória dos trabalhadores e suas lutas.
Ficha técnica:Data: 2002
Direção: José Roberto Novaes e Francisco Alves
Duração: 11 minutos
Realização: Ferasp / UFRJ / UFSCar
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Por Longos Dias



Ganhador do prêmio de melhor curta em 16mm no Festival de Brasília e do Prêmio Especial do Júri no Festival de Gramado, ambos em 1999. O texto é uma adaptação do prefácio de José Saramago pra o livro “Terra”, de Sebastião Salgado. Poético e bem feito, apresenta um texto levemente provocativo em relação à religião. Mostra o cotidiano difícil da luta dos Sem-Terra e suas atividades, como as Marchas Nacionais.

Indicação de uso:
Apontar as injustiças ligadas à concentração da propriedade da terra no Brasil. Mostrar como a resistência popular se organiza.

Ficha técnica:
Data: 1998
Direção: Mauro Giuntinni
Duração: 13 minutos
Produção: Asa Cinema & Vídeo e Plateau Filmes.

Youtube

Terras Para Rose e Sonhos de Rose: 10 anos depois

Terras Para Rose




A história de Rose, agricultora sem-terra que, com outras 1.500 familias, participou da primeira grande ocupação de uma terra improdutiva, a fazenda Annoni, no Rio Grande do Sul. O filme aborda a sensível questão da reforma agrária no Brasil, no período de transição pós-regime militar, retratando o início de um polêmico e importante movimento social, o MST. Rose deu à luz o primeiro bebê que nasceu no acampamento e foi morta em estranho acidente. 

Sonhos de Rose: 10 anos depois




O documentário mostra o reencontro da cineasta Tetê Moraes com os personagens de “Terra para Rose” (1985), também dirigido por ela, e que narra a trajetória de 1.500 famílias de agricultores sem terra. As imagens do primeiro filme acompanham a luta de Roseli Seleste Nunes da Silva e sua família. Aos 26 anos, ela foi morta por um caminhão durante repressão à ocupação da Fazenda Anoni, em Sarandi, no Rio Grande do Sul, em 1985. Trata-se da primeira grande ocupação do MST. No segundo filme, Tetê reencontra várias pessoas que havia filmado dez anos antes. A maioria conseguiu sua pequena propriedade para produzir, apesar dos sacrifícios impostos pela repressão dos latifundiários e governos.

Indicação de uso:
Útil para discutir a reforma agrária e mostrar a violência com que os proprietários reagem às justas reivindicações dos sem-terras.
Ficha técnica:
Data: 1995
Direção: Tetê Moraes
Duração: 91 minutos
Produção: Vem Ver Brasil
Videoteca

Arte de lutar: 20 anos do MST no Espírito Santo

Arte de lutar” faz um resgate da história do MST no estado do Espírito Santo, desde a criação das Comunidades Eclesiais de Base, na década de 80, até a organização dos trabalhadores em sindicatos rurais, passando pela criação do MST e pelo momento atual. 
O vídeo também contextualiza a situação fundiária no Estado, apresentando as conseqüências, para os trabalhadores, da implantação de grandes projetos, como é o caso da Aracruz Celulose.
Além desse panorama histórico, apresenta a organização dos setores do MST, entre eles educação, saúde, gênero e produção, além de contextualizar a situação atual do estado em relação ao número de acampamentos e assentamentos mantidos pelo MST. 
No vídeo, os próprios Sem-Terra falam de suas histórias, suas dificuldades e principalmente sobre os ideais alcançados e aqueles pelos quais eles ainda lutam para conquistar.

Indicação de uso:
Fonte de pesquisa para aulas de História do Brasil e Geografia, para sindicatos e para debates que tenha como assunto a reforma agrária.

Ficha técnica:
Data: 2004
Direção: Jackson Segundo 
Duração: 34 minutos
Realização: MST-ES e DECOS/UFES.

Vídeoteca 

Paixão e Guerra no Sertão de Canudos






Documentário que resgata um dos mais belos, chocantes e desconhecidos episódios da história brasileira. Com depoimentos de pesquisadores e, sobretudo, dos parentes dos combatentes, o filme oferece ao público uma verdadeira aula sobre a luta pela terra e pela liberdade.

Relembrando os passos de Antônio Conselheiro desde 1871, o filme apresenta o fundador de Monte Belo (Canudos) e sua ligação com a luta contra a escravidão, a opressão e a República. Descreve a comunidade sertaneja formada por negros, índios e pobres, onde não existia polícia, cobradores de impostos, nem patrões nem empregados e onde a terra e a produção eram coletivas. Mostra como o vilarejo de mais de 25 mil habitantes no interior da Bahia, em 1893, atraiu a ira de coronéis, da Igreja e do Governo Estadual e Federal. Conta, uma a uma, as quatro expedições que durante mais de um ano atacaram Canudos, mobilizando para isso mais de 12 mil soldados do exército de 17 estados (50% de todo o efetivo nacional na época).

A resistência guerrilheira de João Abade, de José Venâncio, de Pajeú e de outros é descrita com detalhes surpreendentes. A destruição completa da cidade e o massacre de seus habitantes (ao fim foram todos decapitados) compõem o desfecho da guerra e deste chocante filme. A conclusão de Paixão e Guerra no Sertão de Canudos é que espingardas e canhões podem destruir cidades, mas não os sonhos e a história.

Indicações de Uso:
"Paixão e Guerra no Sertão de Canudos" é um filme indicado para debates políticos sobre a questão agrária no Brasil e sobre o tema dos direitos humanos. É uma aula de Geografia e de História, pois aborda um dos fatos mais controversos e marcantes de todo o período republicano. É um exemplo de como a memória popular, as cantigas e músicas populares, as xilogravuras e reportagens de jornal podem ser usadas para reconstrução histórica. Os debates com diversos especialistas no tema mostram como é sempre possível resgatar a história dos vencidos.

Ficha Técnica:
Data: Novembro de 1993
Direção: Antonio Olavo
Duração: 78 minutos
Realização: Portfolium

Youtube

Os Rurais da CUT


Documentário sobre a luta e organização dos trabalhadores rurais no Brasil a partir da organização do 1º Congresso do Departamento Nacional dos Trabalhadores Rurais da CUT (DNTR-CUT). O vídeo resgata a memória das principais lutas no campo desde a década de 1950, mostrando que a reforma agrária, a defesa do meio ambiente, a produção familiar e as melhorias das condições de trabalho e dos salários não é uma luta só dos rurais, mas de toda a classe trabalhadora.
"Os Rurais da CUT" mostra como o golpe militar abortou, através da repressão, as lutas e a organização dos trabalhadores rurais. O processo de modernização que foi implantado favoreceu apenas os grandes produtores, os latifundiários e a agroindústria, com subsídios, créditos para exportação etc. Aos trabalhadores coube a miséria e o êxodo para as periferias dos grandes centros.
Agrotóxicos, super exploração do trabalho, controle de poços pelos grandes proprietários, falta de acesso à terra, baixos salários, derrubada das florestas e construção de barragens. Estes foram alguns dos fatores que levaram os trabalhadores às greves, às ocupações de terra e à organização.
Com depoimentos emocionantes e imagens chocantes, o filme mostra a participação de trabalhadores sem-terra, parceiros, meeiros, seringueiros e outros extrativistas, pequenos agricultores, bóias-frias e assalariados rurais.
Indicações de Uso:
"Os Rurais da CUT" é um documentário indicado para aulas de História, Geografia, Cidadania e para debates políticos e cursos de formação sindical que tenham como tema a política agrária brasileira, o sindicalismo no Brasil e a luta pela terra.
Ficha Técnica:
Duração: José Roberto Novaes e Paulo Pestana
Realização: DNTR-CUT e Centro Ecumênico de Documentação e Informação
Duração: 35 minutos
Data: 1992

Videoteca 

sábado, 6 de agosto de 2011

sábado, 16 de julho de 2011

Questão Agrária no Paraná: O arquiteto da violência



Denúncia do massacre da rodovia paranaense BR-277, recodificando imagens de concessionárias, registros policiais durante ações de despejo e o ensaio fotográfico Terra, de Sebastião Salgado.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O Mundo Segundo a Monsanto


O Documentário destaca os perigos do crescimento exponencial das plantações de
transgênicos que em 2007, cobriam 100 milhões de hectares com propriedades genéticas patenteadas em 90% pela Monsanto.
A pesquisa durou três anos e a levou aos Estados Unidos e a países como Brasil, Índia, Paraguai e México, comparando as virtudes proclamadas dos OGM com a realidade de camponeses mergulhados pelas dívidas com a multinacional, de moradores das imediações das plantações, pessoas que sofrem com problemas de saúde ou de variedades originais de grãos ameaçadas pelas espécies transgênicas.

Link:
http://www.interativismo.org/index.php?option=com_content&task=view&id=155&Itemid=35

Download do Link:

domingo, 16 de maio de 2010

Contra o "Deserto Verde": Documentário - Não Comemos Eucalipto

Documentário que denuncia a forte repressão policial sofrida por mulheres da Via Campesina durante violenta desocupação de uma fazenda ilegal da Transnacional Stora Enso, no Rio Grande do Sul, Brasil. No dia 4 de março de 2008.
Parte 1


Parte 2

domingo, 25 de abril de 2010

Vídeo: Os Palestinos da Amazonia

Vídeo em 3 partes com depoimentos de lavradores amazônicos nos acampamentos da Liga dos Camponeses Pobres, no interior de Rondônia. A luta de um povo forte, que sofre o diabo, mas que não tem medo dele.

Parte 1


Parte 2


Parte 3

Fonte: http://www.youtube.com/user/Latuff

domingo, 18 de abril de 2010

Mataram Irmã Dorothy

No dia 12 de fevereiro de 2005, irmã Dorothy Stang, uma freira norte-americana de 73 anos, naturalizada brasileira, foi baleada 6 vezes e abandonada á beira de uma estrada da Floresta Amazônica. Quem era essa mulher e por que ela foi assassinada? O que será feito a respeito deste crime? As respostas talvez impliquem no próprio destino da floresta.
Mataram Irmã Dorothy é um documentário longa-metragem impactante, de conteúdo dramático, que investiga e acompanha o julgamento dos assassinos da irmã e faz uma análise do seu trabalho na Amazõnia.

Trailer


Baixe o Filme clicando
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Wagner Moura em depoimento - Mataram Irmã Dorothy



Absolvição de acusado de mandar matar Dorothy custou R$ 300 mil, diz carta
A carta, escrita à mão por Tato em junho de 2007, oito meses após a produção do vídeo, foi enviada ao Ministério Público Estadual.
Nela, ele afirma que vinha recebendo "muita pressão" do fazendeiro e que, se não corroborasse a versão da defesa, não iria ficar "vivo na cadeia".
Diz também que, "para ajudar" o fazendeiro, participou de "uma fita gravada com um repórter [...] que veio aqui. Eu fiz isso porque eu fiquei com medo". "A verdade é que ele [Bida] mandou o Rayfran [das Neves, outro condenado] matar a irmã Dorothy", escreveu.
A outra declaração é o depoimento de abril do ano passado dado por Clodoaldo Carlos Batista, que estava com Rayfran no momento em que este atirou em Stang. Clodoaldo cumpre 17 anos de prisão por participação na morte.
Segundo disse, a gravação que absolveu Bida "custou R$ 300 mil, sendo uma terra no valor de R$ 150 mil [no sul do Pará], dois carros [um deles no valor de R$ 30 mil] e mais uma quantia R$ 12 mil".
De acordo com Clodoaldo, todos os bens foram entregues à mulher de Tato por um funcionário de Bida. Clodoaldo afirmou também que os valores e a negociação foram relatados a ele pelo próprio Tato.
Matéria Completa na Folha OnLine
Condenação de carrasco de Dorothy é exceção, não regra
Após mais de 14 horas de julgamento, o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura foi condenado a 30 anos de prisão nesta segunda (12) por ter encomendado a morte da irmã Dorothy Stang. Segundo o repórter João Carlos Magalhães, da Folha de S. Paulo, o juiz Raimundo Flexa afirmou, em sua sentença, que a personalidade de Vitalmiro é “perversa e covarde” e seus atos “negam a própria racionalidade humana”.
Um alento em meio ao exército de mortos que espera Justiça na Amazônia: Bida, como é conhecido Vitalmiro, é o único mandante de crimes agrários preso no Pará.
Proprietários rurais ou grileiros que acreditam deterem o monopólio de violência em regiões em que o poder público é cooptado, subjulgado ou parceiro do poder econômico, têm licença para matar no Pará. Pois possuem a certeza de que, na esmagadora maioria das vezes, só peixe pequeno é pego. O que, convenhamos, não é exclusividade de crimes agrários no Brasil. A condenação de Bida leva a uma mudança de paradigma? Nem de perto. Está distante o dia em que o Estado garantirá que essas pessoas saibam que também estão sujeitas aos rigores da lei.
Há cinco anos, a missionária norte-americana naturalizada brasileira Dorothy Stang foi assassinada com seis tiros – um deles na nuca – aos 73 anos, em uma estrada vicinal de Anapu (PA). Ela enfrentava ameaças de morte de fazendeiros da região, descontentes com sua defesa dos Programas de Desenvolvimento Sustentável como modelos de reforma agrária na Amazônia. Vitalmiro Bastos de Moura, um dos fazendeiros acusados de mandantes do crime, chegou a ser julgado e condenado a 30 anos de prisão em 2007. Acabou inocentado no segundo julgamento, em maio do ano seguinte. A Justiça, então a pedido do Ministério Público, anulou a absolvição em 2009 e decretou nova prisão – o que foi seguido de um habeas corpus obtido no Superior Tribunal de Justiça para que ele permanecesse em liberdade. Finalmente, a liminar foi cassada em fevereiro e ele voltou a aguardar novo julgamento preso.
Bida permaneceu anos na “lista suja” do trabalho escravo – cadastro oficial do governo federal que mostra quem cometeu esse crime. Ele foi flagrado com 20 escravos na fazenda Rio Verde, em Anapu, onde criava bovinos, distribuídos por frigoríficos e açougues à mesa do brasileiro.
Reginaldo Pereira Galvão, outro acusado de mandante do crime, continua no banco dos réus. Tem seu primeiro julgamento marcado para o dia 30 de abril. Outras três pessoas estão presas pelo crime: os pistoleiros Rayfran das Neves (Fogoió) e Clodoaldo Batista (Eduardo) e o intermediário Amair da Cunha (Tato). Como sempre, os mais pobres caíram primeiro. A repercussão internacional do assassinato de Dorothy tornou o caso simbólico, unificando temáticas como a luta pelos direitos humanos, a questão do direito à terra e a preservação ambiental. Mas toda a exposição ainda não foi suficiente para garantir que a Justiça fosse completa com a condenação de todos os mandantes.
A Justiça no Brasil, e mais especificamente a do Pará, continua fracassando. A condenação de Vitalmiro é uma distorção na curva, não um padrão. Não gosto da justificativa de um “Estado ausente”, que causaria toda essa violência. O Estado está muito bem presente na região – basta olhar as placas de financiamento público que enfeitam a paisagem das mesmas fazendas acusadas de crimes contra a dignidade humana. Mas é atua como um restaurante “self-service”, em que os mais poderosos escolhem o que lhes agrada – dinheiro, por exemplo. A parte de respeito aos direitos? Esquece…
Na década de 80 e 90, os fazendeiros do Sul do Pará resolveram acabar com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, um dos mais atuantes na região, e assassinaram uma série de lideranças. Os casos foram a julgamentos, houve condenações, mas os pistoleiros fugiram. Há mais de 200 pessoas marcadas para morrer no Estado. O Massacre de Eldorado dos Carajás, no Sul do Pará, que matou 19 sem-terra e deixou mais de 60 feridos após uma ação violenta da Polícia Militar para desbloquear a rodovia PA-150, vai completar 14 anos de impunidade neste sábado (17).
Não foi o general De Gaulle que disse a famosa frase, mas ela é perfeita: o Brasil não é um país sério. Recebo diariamente notícias do interior dizendo que algum trabalhador rural foi espancado, um indígena foi morto, um sindicalista levou um tiro, uma família de posseiros ameaçada. Se você não respira fundo e tenta reiniciar a CPU no final de cada dia, corre o risco de entrar em uma espiral de banalização de violência. O horror de ontem passa a ser nada diante da bizarrice de hoje, retroalimentado pela impunidade. Afinal, há mais chances de eu ser atingido na rua por um meteoro em chamas do que o Brasil garantir que os seus violadores de direitos humanos sejam sistematicamente responsabilizados e punidos.

Soja: em nome do Progresso.

A expansão da soja na Amazônia tem atraído fazendeiros de outras regiões do Brasil, que se mudam com a ambição de se tornarem ricos rapidamente.
Mas tudo tem seu preço... Comunidades locais são ameaçadas e expulsas de suas terras. E a floresta é destruída para dar lugar à soja.
Para o Brasil, tudo em nome do "progresso". Mas, para aqueles que perderam suas terras e viram a destruição que a soja trouxe para a região de Santarém, o avanço da fronteira agrícola na Amazônia não significa nada a não ser devastação e miséria...
Documentário com narração de Marcos Palmeira.

Parte 1


Parte 2

Eldorado dos Carajás: chacinas são um bom negócio no Brasil

Marcha Interrompida - MST Eldorado dos Carajas



Por Leonardo Sakamoto

O Massacre de Eldorado dos Carajás, no Sul do Pará, que matou 19 sem-terra e deixou mais de 60 feridos após uma ação violenta da Polícia Militar para desbloquear a rodovia PA-150, completa 14 anos hoje. A estrada estava ocupada por uma marcha do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra que se dirigia à Marabá a fim de exigir a desapropriação de uma fazenda, área improdutiva que hoje abriga o assentamento 17 de Abril. A Polícia recebeu ordens de retirá-los e deu no que deu. O Massacre é considerado o maior caso contemporâneo de violência no campo, tanto que esta data passou a ser lembrada como o Dia Mundial de Luta pela Reforma Agrária.
Desde então, a realidade pouco mudou na região. O Pará, sob forte influência de proprietários rurais e de mineradoras, é o estado com maior número de casos comprovados de trabalho escravo e um dos lideres no desmatamento ilegal. É também campeão no número de assassinatos de trabalhadores rurais em conflitos agrários e de lideranças sociais e religiosas que, marcadas para morrer, já têm uma bala batizada com seu nome. Isso sem contar o descaso com a infância, que toma forma de meninas nos bordéis e de meninos em serviços insalubres no campo. Garotas com idade de “vaca velha”, como dizem garimpeiros e peões, ou seja, com 10, 12 anos, trocam a sua alegria pela dos clientes.
O que é justiça? É punir apenas aqueles que apertaram o gatilho ou inclui os que, através de sua ação ou inação, também garantiram que uma tragédia acontecesse? Em 1992, 111 detentos foram mortos na já desativada Penitenciária do Carandiru após uma ação bizarra da Polícia Militar. Mais de 153 pessoas ficaram feridas, das quais 23 policiais. O falecido Coronel Ubiratan Guimarães, que coordenou a invasão/banho de sangue para conter a rebelião, foi eleito posteriormente deputado estadual, tripudiando a memória dos mortos – candidatava-se com o número 14.111. Luiz Antônio Fleury Filho, governador na época do massacre, aprovou a conduta da polícia. Hoje é deputado federal.
E por aí vai: Quem foi responsável pela Chacina da Castelinho, quando um comboio de supostos criminosos foi parado próximo a um pedágio na rodovia Castelinho, em Sorocaba (SP), e 12 pessoas executadas em 2002? E pelo Massacre de Corumbiara (RR), no qual 200 policiais realizaram uma ação armada para retirar cerca de 500 posseiros que ocupavam uma fazenda no município, resultando na morte de dois PMs e nove camponeses, entre eles uma menina de 7 anos em 1995? Ou ainda Vigário Geral, em que 50 policiais militares, que estavam fora de seu horário de serviço, entraram atirando na favela e mataram 21 inocentes em 1993 como uma “prestação de contas”? No caso de Eldorados dos Carajás, as autoridades políticas na época, o governador Almir Gabriel e o secretário de Segurança Pública, Paulo Câmara, não foram nem indiciados.
Todos esses massacres e chacinas têm em comum o fato de vitimarem pessoas excluídas socialmente: camponeses, trabalhadores rurais, pobres da periferia, presos. Enquanto isso, o envolvimento de policiais militares tem sido uma constante. Se, hoje, massacres como os de 10, 20 anos atrás são mais raros, o mesmo não se pode dizer da violência policial. Comportamento que, muitas vezes, é aplaudido pela classe média, pois isso lhes garante o sono diante das hordas bárbaras. Muitas chacinas passaram a ocorrer em conta-gotas, no varejo, de forma silenciosa que não chame a atenção da mídia daí e aqui de fora.
O Poder Judiciário tem sua grande parcela de responsabilidade no clima de impunidade que alimenta a violência. A Justiça, que normalmente é ágil em conceder liminares de reintegração de posse e determinar despejos no caso de ocupações na cidade, é lenta para julgar e punir assassinatos e outras formas de violência contra trabalhadores.
Para que direitos humanos sejam efetivamente respeitados no país são necessárias mudanças reais, pois há impunidade também quando o governo não atua para acabar com a situação de desigualdade ou exploração que estava na origem do conflito. Seja ao permitir que garimpeiros continuem a explorar reservas indígenas, seja ao tolerar que crianças durmam na rua ou trabalhadores precisem perder a vida na luta pela reforma agrária.
Há uma relação carnal que se estabelece entre o patrimônio público e a propriedade privada não só na Amazônia, mas em outras partes do país. Muito similar ao que se enraizou com o coronelismo nordestino da Primeira República, o detentor da terra exerce o poder político, através de influência econômica e da coerção física. O já tênue limite entre as duas esferas se rompe. É freqüente, por exemplo, encontrar policiais que fazem bicos como jagunços de fazendas. O Massacre de Eldorado dos Carajás é um dos tristes episódios brasileiros em que o Estado usou de sua força contra os trabalhadores e a favor dos grandes proprietários de terra.
E, ao final, quem estava no topo da cadeia de responsabilidade pode continuar indo para sua casa tomar um uísque e coçar a barriga. Pois sabe que sua contribuição de violência é apenas mais uma, entre outras tantas que povoam a mídia ou, pior, passam despercebidos dela e da opinião pública.






Fonte:http://noticias.uol.com.br/politica/2010/04/17/eldorado-dos-carajas-chacinas-sao-um-bom-negocio-no-brasil.jhtm


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Por pouco não termina em tragédia ação das Polícias Militar e Civil do Pará. O fato lamentável ocorreu na sexta-feira (06/11), durante manifestação que reuniu mais de mil Sem Terra.

26 de agosto de 2009
Condenação de culpados por Massacre de Carajás é mantida
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou, nesta terça-feira (25/8), recursos dos policiais militares condenados como mandantes do massacre de Eldorado dos Carajás. Os ministros do STJ decidiram manter a condenação de 228 anos de prisão do coronel Mário Colares Pantoja, e de 158 anos e quatro meses do major José Maria Pereira de Oliveira.

20 de agosto de 2009
MST se reúne com presidente do STJ para exigir justiça
Na manhã desta quinta (20/8), integrantes do MST e de movimentos da Via Campesina se reúnem em Brasília com o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Cesar Rocha, para pedir a manutenção da condenação dos responsáveis pelo Massacre de Eldorado dos Carajás.

sábado, 10 de abril de 2010

Tabuleiro de cana, xadrez de cativeiro

Documentário produzido pela Comissão Pastoral da Terra - CPT mostra a realidade de milhares de pessoas tratadas como escravas em lavouras de cana pelo país. “A iminente perda da capacidade de sonhar é o que mais chama atenção durante um trabalho como esse. Só há liberdade quando existem pelo menos duas possibilidades de escolha. Do contrário há imposição”, diz o diretor do filme Thalles Gomes.
A CPT acompanha o crescimento do trabalho escravo e a carência de políticas eficazes para o combate dessa prática, promovendo denúncias junto aos órgãos fiscalizadores e a sociedade civil.
Esse Documentário mostra a realidade de milhares de pessoas tratadas como escravas em lavouras de cana pelo país. “A iminente perda da capacidade de sonhar é o que mais chama atenção durante um trabalho como esse. Só há liberdade quando existem pelo menos duas possibilidades de escolha. Do contrário há imposição”, diz o diretor do filme Thalles Gomes.Quase 120 anos se passaram desde a abolição da escravatura e o trabalho escravo continua fazendo parte da realidade de milhares de brasileiros e brasileiras. Embora haja grande dificuldade para que violências humanas e trabalhistas sejam reconhecidas como escravidão pelo poder público, casos sérios de violações à dignidade e aos direitos dos cidadãos(ãs) não são raros no país. A maioria deles é considerado trabalho degradante e não escravo, com a justificativa de que não há coerção por parte dos patrões. Alojamento em casebres inóspitos, alimentação precária, abuso das usinas na pesagem da cana, deslocamento irregular, descontos abusivos por alimentação, moradia e transporte e cargas de trabalho excessivas são alguns exemplos de violações trabalhistas freqüentes.
O documentário “Tabuleiro de Cana, Xadrez de Cativeiro”, produzido pela Comissão Pastoral da Terra, CPT Alagoas, trouxe para as telas um pouco da realidade dos(das) assalariados(as) da cana, dentro de um universo de superexploração, desrespeito aos direitos humanos e trabalho forçado. O projeto que deu origem ao documentário teve início em abril de 2005, quando a CPT de Alagoas retomou seus trabalhos junto às periferias das cidades da zona canavieira do Estado.
“A partir dos relatos dos trabalhadores e de seus familiares, decidimos realizar um documentário que mostrasse os dois pólos dessa rede de exploração. Foram captadas imagens e depoimentos tanto em Alagoas como em Mato Grosso”,
explica Thalles Gomes, produtor e diretor do filme. “Com as visitas fomos percebendo que tudo era bem mais complexo e perverso do que imaginávamos. Mas a própria constatação da existência de trabalho escravo já é revoltante e desconsoladora”, completa.
Para ele a experiência de dirigir um documentário sobre trabalho escravo é a de vergonha. “Tenho vergonha da raça humana. De saber que um ser humano é tratado como uma coisa qualquer, como mercadoria, e que somos todos nós, seres humanos, responsáveis por isso, seja por ação ou omissão”, revela.
O enfoque do filme é o fenômeno migratório dos(das) alagoanos(as), em sua maioria homens entre 18 e 40 anos, para o trabalho nas usinas de Mato Grosso. “A partir de depoimentos dos canavieiros do município de Joaquim Gomes, pudemos perceber a rota de migração estabelecida há mais de uma década para o Mato Grosso, ignorada pelos órgãos fiscalizadores”, revela Lilian Nunes, agente pastoral da CPT Alagoas, produtora e roteirista do documentário.
Segundo ela, a abertura do mercado de açúcar e do álcool para a Europa e o Japão, bem como a retomada do pró-álcool pelo governo federal, aumentaram as áreas de produção de cana e, conseqüentemente, a exploração dos(das) trabalhadores(as). “Visando seus lucros e competitividade, os usineiros e fornecedores de cana estão repassando o ônus do aumento da produção para os canavieiros: longas jornadas de trabalho e baixos salários”, afirma. O Brasil é o maior exportador de açúcar e álcool do mundo. O setor sucroalcooleiro movimenta cerca de R$ 20 bilhões por ano.
O principal objetivo do documentário é divulgar para a sociedade brasileira e internacional o custo social proveniente do aumento das exportações de açúcar e etanol. A idéia é denunciar essa realidade e instigar as pessoas para que reflitam sobre a existência de trabalho escravo em pleno século XXI.
O filme está sendo exibido, também, nas próprias comunidades de assalariados(as) da cana e nas periferias de cidades onde há vítimas em potencial. Trata-se de um trabalho de formação que visa alertar os(as) migrantes sobre a importância do deslocamento para outras cidades apenas com um vínculo empregatício garantido.
“O sentimento de ilusão diante de uma realidade que julgavam diferente ecoa em todos os depoimentos colhidos. Antes de serem levados para outras regiões do país pelos 'gatos' contratados pelas usinas, os trabalhadores são abordados com falsas promessas de salários altos e contratação regular”, explica Lilian Nunes.
Além disso, faz parte de um processo de informação para que os(as) trabalhadores(as) “compreendam o alcance dos seus direitos e saibam a quem recorrer diante de situações de exploração e degradação de sua dignidade”, completa ela.
Durante as gravações, as dificuldades não foram poucas. Além da falta de condições financeiras para a utilização de equipamento profissional, a equipe, muitas vezes, estava resumida a duas pessoas. Nenhuma autorização foi pedida às usinas para que gravassem os depoimentos, as condições de trabalho e alojamento. “Sabíamos que não permitiriam ou só mostrariam o que lhes conviesse. Apesar de certo risco e receio, não houve nenhum incidente. Pelo menos até agora”, conta Thalles Gomes.
Em novembro, o documentário será lançado também na França e na Itália. Há a possibilidade de uma parceria com a Procuradoria Regional do Trabalho para a distribuição de cópias para todo Brasil. Além disso, outras entidades e órgãos de defesa dos direitos humanos estão sendo contatados pela CPT Alagoas para endossar a Campanha Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.
A TV é também um objetivo mas, de acordo com Lilian Nunes, a dificuldade em conseguir espaço na mídia é grande. “Um documentário sobre trabalho escravo, por se tratar de um tema delicado e até incômodo, encontra muita resistência”, revela.
Veja O Documentário (4 partes)
Parte 1/4



Parte 2/4


Parte 3/4


Parte 4/4